Não me apeteceu andar, não sei o que foi mas as minhas pernas decidiram que hoje não era dia para caminhadas de pé acelerado. Não estava cansada. Devia ser da chuva, há qualquer coisa nesse fenómeno meteorológico que me consegue deixar indiferente a tudo e todos, nestes dias não há nada que eu queira fazer e nada é estar deitada na cama a dormir com o pijama mais quente, as meias mais quentes e a maior quantidade de cobertores.
Olhei para o relógio - 08:20. Estava atrasada, mas mais uma vez era a chuva que me impedia de achar que estar atrasada não estava correcto. Então continuei devagar.
Sabia que ia ser uma semana aborrecida, como todas as outras, sem muita coisa que fazer e sem muita que amar. Essa ideia reconfortou-me; deixei de me preocupar com a chuva porque sabia que ia ser assim toda a semana, deixei de me preocupar com o frio porque sabia que ia ser assim toda a semana e deixei de me preocupar com os atrasos. Ia ser assim toda a semana.
Desviei o olhar para o chão e acordei deste ar matinal só para ver as folhas alaranjadas e avermelhadas a rastejarem com o vento. Afinal não era uma semana, era uma estação -ainda pior duas- de frio, chuva e atrasos.

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